Série | Pioneiros da Auditoria Médica no Brasil

Dr. Carlos Roberto Ramos Pereira | 13 Jul 2021

Dr. Carlos Roberto Ramos Pereira
Arquivo Pessoal

Pelos idos de 1980, eu com inúmeros afazeres, trabalhando em 03 hospitais e na EPM  - UNIFESP, tinha feito um concurso publico para vaga de ortopedista, havia passado e fui lotado na maior posto de atendimento do INPS (a época) na cidade de São Paulo.

 

Tinha horário rígido , porém com tantos afazeres como cumprir rigidamente o atendimento quatro vezes por semana, porque havia um dia cirúrgico ?
 

Estava quase desistindo daquilo tudo , afinal a compensação financeira era baixa e me incomodava muito não conseguir cumprir fielmente o horário estipulado e ouvir inúmeras reclamações quando chegava ao posto.

 

Ali conheci um colega, também ortopedista, que comandava um ramos do INPS chamado de contas médicas, ai começou minha persistência para conseguir me realocar na tal contas medicas do INPS , tinha ouvido que "prontuário não reclama se você chega atrasado" e como tudo na minha vida resolvi que era para lá que eu iria, sem perder meu vinculo , de servidor concursado , insisti muito e finalmente consegui me juntar a outros quatro colegas que lá estavam, repito, nas contas médicas do INPS .
 

O que analisávamos lá? As famosas AIH (autorização de internação hospitalar) que os colegas mais novos não sabem, com certeza  o que vinha a ser.

 

Eram as guias emanadas do posto de saúde do INPS, autorizando um procedimento cirúrgico, em hospitais que em tempos modernos, nem se imagina atenderem INPS , hospitais de grande porte na cidade de São Paulo , analisávamos também os BAU's (boletim de atendimento de urgência) para os casos emanados dos pronto socorros credenciados para atendimento. Segue como curiosidade, os BAU's eram de duas cores sempre, os verdes que eram os de quem possuía carteira de trabalho e os rosas que eram para quem não possuía carteira de trabalho.


Nossa analise era por amostragem e a glosa se houvesse era linear. Não havia a analise total da conta, como atualmente é realizada.
 

Um belo dia nessa unidade do extinto INPS , que posteriormente tornou-se o INAMPS e em seguida o atual SUS, adentra a nossa sala em que fazíamos essas analises, um senhor , perguntando se éramos médicos auditores e eu que sempre falei muito, respondi prontamente :
 

"Não , somos médicos" e ele insistia se éramos médicos auditores, e eu sempre a frente dos colegas, repetindo que não. Vejam não existia a época a figura do médico auditor , nós éramos cinco médicos concursados pelo extinto INPS , nesse mesmo dia após a insistência desse senhor eu indago: "E quem é o Senhor?" que de pronto me respondeu ser proprietário do maior plano de saúde (a época) e um silencio sepulcral se fez , pois esse plano de saúde era imensamente famoso e crescia a passos largos , claro que não era a nossa praia , mas ...
 

Esse senhor ato continuo nos convida para trabalharmos em seu plano de saúde, por uma grande bolada financeira , a época , tivemos uma proposta financeira de trabalho de 10 (dez) vezes mais o que ganhávamos no INPS por quatro horas de trabalho diárias , cinco dias por semana.


Claro que aceitamos e ai começa a auditoria médica para planos de saúde , totalmente rudimentar , mas a evolução até os dias atuais foi imensa, inimaginável a época.
 

Tivemos muitos fatos por esse período, inúmeros, mas o fato bucólico como tudo se iniciou foi ai reproduzido , teria horas para falar do inicio até os dias atuais.


Mas isso é uma outra história.

Dr. Carlos Roberto Ramos Pereira
 

Gestão de Risco em Saúde

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